Enfim, blog!

 

11tit

Tudo na vida tem um começo. Nesse caso, um recomeço. Embora possa parecer que este projeto começa aqui, ele teve início há mais de dez anos atrás, quando eu tinha 12 anos.

Mas primeiro você precisa conhecer a minha história. Eu tenho uma família enorme mas na prática mesmo sempre fomos eu, minha mãe e meus avós. Eu não tinha muitas crianças com quem brincar, então comecei a ler muito cedo. Na verdade eu  já lia antes de saber ler, porque folheava livros e imaginava a história contida naquelas figuras coloridas. Um dia quando eu tinha menos de 6 anos uma amiga da minha mãe me viu com um livro na mão e perguntou se eu sabia ler, eu respondi que só sabia ler palavrinhas. Ela pediu pra eu mostrar como lia as palavrinhas e eu li em voz alta uma página toda pra ela, que estava em choque. Foi aí que ela disse ” você sabe ler!”. Eu lembro até hoje a emoção que senti naquele momento, parecia que a barreira do impossível havia se desfeito diante de mim e eu automaticamente passei a compreender o significado daquilo. Eu não precisava mais pedir para alguém ler pra mim. Eu já era, literariamente, uma garotinha independente. Grande parte disso eu devo à minha avó, Lúcia, semi-analfabeta. Todas as vezes em que íamos na rua, ela comprava um livrinho de histórias para mim. Em muitos aspectos, eu não seria quem sou hoje sem ela.

Virei uma devoradora de livros. Meu nome figurava sempre entre na lista dos 3 alunos da escola que mais pegavam livros emprestados. Como consequência, apenas ler passou a não me bastar. Eu queria criar meu próprio mundo, minhas próprias histórias. Logo, escrever tornou-se meu passatempo favorito, o que me rendeu dois prêmios regionais antes dos 15 anos. Aos 12 escrevi uma história (inacabada, infelizmente) baseada no universo mágico criado por J.K Rowling e publiquei no maior site do gênero no país. Durante dez anos ela esteve na lista das mais votadas e ainda hoje ocupa o posto de 8ª mais lida. Com tanto amor pelas palavras, eu dizia que seguiria jornalismo. Na verdade a minha família apostava que eu viraria escritora, mas a minha vida tomou um rumo bem diferente.

Escrever, aliás, é um hábito do qual não cultivo mais há tempos. Vez em quando eu ataco de “escritora de facebook”, mas nada comparado com antes. Até como miss eu já venci dois concursos de talento escrevendo. Um deles eu levei por voto unânime da banca de jurados, porém uma das candidatas disse que eu poderia ter pedido para alguém escrever para mim e que o meu texto foi “apelativo para fazer os jurados chorarem de propósito, assim qualquer um levava”. Por causa das reclamações dela, não ganhei o posto que me era de direito, mas saber que algo feito por mim mexeu com o melhor (e, infelizmente, com o pior) das pessoas que puderam me ouvir já valeu muito mais do que qualquer título. Escrever me torna uma pessoa mais próxima do meu pai. Ele é uma das pessoas mais cultas e inteligentes que eu conheço, com uma vasta biblioteca em casa. Ele tem livros publicados e durante muitos anos escreveu crônicas para um jornal. Espero um dia poder ser como ele.

Dos 12 aos 21 tive diários dos quais escrevia religiosamente todas as noites.  Em agosto de 2003 descobri os blogs, e me joguei. Fui blogueira dos 12 aos 21 anos. Comecei com um diário, criei alguns blog especializados em assuntos específicos, usei alguns pseudônimos para escrever, até que no final criei um blog para postar os meus looks. Eu não tinha muito dinheiro (“mudaram as estações, nada mudou…”), então eu tinha uma criatividade enorme para misturar peças e um faro incrível para promoções. No começo da blogosfera, blogger estava longe de ser uma fonte de renda ou uma profissão, postávamos por puro hobby e tenho orgulho de ter vivido os primeiros passos desse fenômeno digital. Meu último blog deu seus últimos suspiros em 2011 e veio à falecer em 2012, por motivos dos quais eu realmente não me orgulho. Talvez eu escreva sobre eles um dia.

O final do blog culminou em uma fase crucial da minha vida, que mudou todo o meu futuro: resolvi ser miss. Falando assim, pode parecer algo fútil ou cafona pra você, mas você jamais iria acreditar na mudança que isso provocou na minha vida. Pense em uma garota tímida, submissa e que não acreditava em si. Essa definitivamente não sou eu, mas já foi. Eu jamais havia saído da minha cidade natal e logo me vi colocando a mochila nas costas (ou a coroa na cabeça, no caso) e me aventurei por aí. Tive a oportunidade de vivenciar novas experiências, amadurecer, me redescobrir e conhecer pessoas do Brasil inteiro (sim, se tem uma coisa da qual eu me orgulho é de conhecer pessoas do Acre, Tocantins, Rio Grande do Sul, Amazonas… de todos estados mesmo!).Para minha surpresa, no final dessa jornada eu percebi que eu nem de longe era aquela menina do começo, aquela que não arriscava nada por medo de dar errado e que tinha medo do que pensavam à seu respeito. Eu agora me conhecia, eu conhecia o que eu buscava e, principalmente, conhecia o meu lugar no mundo e quem eu era diante das pessoas. Digo isso porque me orgulho de encostar a cabeça no travesseiro sabendo que jamais precisei passar por cima de alguém para chegar em algum lugar.

Bom, voltemos ao que interessa. Eu não sabia, mas já na época do meu blog antigo eu tinha um leitor fiel: O Lipe. O Lipe é o meu namorado agora, mas na época era “o garoto da Copa de 2006”. Ele era a pessoa mais incrivelmente parecida comigo no mundo todo, aquela da qual eu podia passar 20 horas diretas conversando e ainda tinha assunto. Não chegamos a namorar naquela época, seguimos rumos distintos mas sempre gostávamos  de nos certificar que o outro estava bem e o jeito que ele encontrou de fazer isso era acompanhando o meu blog. Hoje eu vejo o quanto isso é psicopata, mas não deixa de ser fofo, vai.

Anos depois, a vida deu a suas voltas e numa dessas voltas incríveis e inesperadas, nos reencontramos e começamos a namorar. Com o namoro, vêm as brigas. Eu só conseguia falar tudo aquilo que eu pensava se estivesse escrevendo, então às vezes eu simplesmente interrompia uma briguinha e falava “posso responder por e-mail? Eu só consigo me expressar bem assim.” Ele ria e me dizia que eu deveria voltar a escrever.

Enquanto eu vivia a correria da vida de miss, correndo atrás de apoiadores igual uma louca, ele passou a me pentelhar dizendo que eu deveria voltar a escrever, que eu deveria voltar com o blog. Eu relutei. Achava que blog era coisa pra rico e eu não tinha como conciliar esse mundo com a minha vida pessoal. Um belo dia, minha mãe e ele me chamaram para uma conversa séria e tentaram me convencer a voltar pra esse mundo.  Fiquei de pensar, comentei com as pessoas que me ajudavam nos concursos de miss, eles apoiaram e eu decidi retornar.

Isso foi em meados de 2014. É que sou perfeccionista, queria deixar minha vida em ordem para convidar vocês para fazer parte dela. Adiei até o fim do miss Rio de Janeiro 2014, depois adiei até comprar uma câmera boa, adiei até me recuperar de uma queda da escada, adiei até perder uns quilos, adiei até me recuperar do trauma de o namorado ter ido fazer intercâmbio, adiei pra depois que eu me recuperasse de uma cirurgia grave, aí veio a monografia, os dois empregos, as prova da faculdade (2015, já acabou, Jéssica?), até as férias do estágio, enfim… eu adiei até achar que poderia me dedicar 100%. Adiei até hoje. E quer saber? Para minha surpresa eu percebi que a nossa vida nunca vai estar em ordem. Ela às vezes vai estar mais arrumadinha, ás vezes vai estar um caos, às vezes você vai ter que empurrar algumas coisas para debaixo do tapete para quando a visita chegar … mas a vida é assim mesmo. Ela não para, ela não espera por você. É como dizem por aí : comece onde você está, use o que você tem e faça o que você pode.  Bem, essa sou eu agora, com todas as forças que eu tenho e eu prometo que vou fazer o melhor que puder.

Bem-vindos ao meu mundo. Fiquem à vontade e não reparem a bagunça.

 

desk blog1

 

Ps.: Gostou do layout? Quando eu disse que era perfeccionista falei sério. Ele foi um trabalho de equipe desenvolvido por mim e pelo meu namorado. Eu fui a designer e ele o programador. Viram? Namorado que é namorado, além de incentivar também põe a mão na massa. Sou ou não sou sortuda?